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NÃO GOSTO DE VOCÊ, PAPAI NOEL

 

 


Segunda-feira, 02 de abril de 2012
 
 
NÃO GOSTO DE VOCÊ, PAPAI NOEL
 
Não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel
de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade
soubessem do seu ódio à humildade,
jogavam pedras nessa fantasia!
Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa e me tornei rapaz,
sem esquecer no entanto o que passou.
Fiz-lhe um bilhete pedindo um presente,
a noite inteira eu esperei contente,
chegou o sol e você não chegou.
Dias depois, meu pobre pai cansado
trouxe um trenzinho velho, empoeirado,
que me entregou com certa hesitação.
Fechou os olhos e balbuciou:
"É pra você... Papai Noel mandou..."
E se esquivou contendo a emoção.
Alegre e inocente nesse caso,
pensei que meu bilhete com atraso
chegara às suas mãos no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda, ele partiu,
deu muitas voltas, meu pai sorriu
e me abraçou pela última vez.
O resto só eu pude compreender
quando cresci e comecei a ver
todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, com medo:
"Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro na cidade".
Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar,
e como quem não quer abandonar
um mimo que lhe deu quem lhe quer bem,
disse medroso: "Eu só queria ele...
Não quero outro brinquedo, quero aquele
E por favor, não vá levar meu trem".
Meu pai calou-se e pelo rosto veio
descendo um pranto que eu ainda creio,
tão puro e santo, só Jesus chorou.
Bateu a porta com muito ruído,
mamãe gritou, ele não deu ouvidos,
saiu correndo e nunca mais voltou.
Você, Papai Noel, me transformou
num homem que a infância arruinou,
Sem pai e sem brinquedos. Afinal,
dos seus presentes, não há um que sobre
para a riqueza do menino pobre
que sonha o ano inteiro com o Natal!
Meu pobre pai doente, mal vestido,
pra não me ver assim desiludido,
comprou por qualquer preço uma ilusão:
num gesto nobre, humano, decisivo,
foi longe pra trazer-me um lenitivo,
roubando o trem do filho do patrão.
Pensei que viajara. No entanto
depois de grande, minha mãe, em pranto,
contou que fora preso. E como réu,
ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus um dia
entrou na cela e o libertou pro céu!
 
Poema de Aldemar Paiva

Você pode escutar esse poema na voz de Rolando Boldrin, no site:
http://www.youtube.com/watch?v=kUvYvnBSbcc

Escute! Vale a pena  ouvi-lo na voz melodiosa deste grande intérprete da arte do  povo brasileiro.

Agora, sobre o autor do poema acima:

Aldemar Paiva


ALDEMAR PAIVA

O Jornalista ( também radialista, poeta e escritor ) Aldemar Buarque de
Paiva, nacionalmente conhecido como Aldemar Paiva, fundou a Rádio
Difusora de Alagoas em 1948. Em 1951 se transferiu para o Recife
onde prestigiado, substituiu Chico Anísio no “ cast “ do Rádio Clube
de Pernambuco.

Ocupou os cargos de Diretor Artístico da PRA-8, Diretor Geral do Rádio
Clube e Rádio Tamandaré. Aos anos 70 se transferiu para o Rádio e TV
Jornal do Commercio onde se aposentou 13 anos depois.

Assinou páginas de humor - Demagracinhas, Diário do Dema, O Causo eu conto, Mesa de pista - no Diário de Pernambuco, Diário da Noite e
Jornal do Commercio.

Aldemar Paiva é cidadão do Recife e de Pernambuco, possui as Medalhas do
Mérito Cidade do Recife e Joaquim Nabuco (classe ouro) assim como a láurea de Memória Viva do Recife. Compositor, parceiro do maestro Nelson Ferreira, sócio da Sbat e UBC com um total de 70 músicas gravadas.

Pertence à Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Presidiu ( 69 / 70 ) a
Empresa Metropolitana de Turismo e o Museu Murilo La Greca, Assessor de
Imprensa do Tribunal de Justiça, Chefe do Depto. de Comunicação Social do
Metrorec além de Diretor do Depto. de Arte e Cultura do Colégio Santa Maria.

Lecionou a História do Rádio e TV no Senac e participou como produtor e ator
dos programas Som Brasil, Praça da Alegria e Chico City na Rede Globo. Foi
Produtor e Apresentador durante 25 anos do programa “ Pernambuco, você é meu, “ líder de audiência nacional e tema de um ensaio biográfico do jornalista Jota Alcides com prefácio do Ministro Marcos Vinícios Vilaça da ABL.

Autor dos seguintes livros : A chegada de Nelson Ferreira no Céu, Monólogos e
outros poemas, O causo eu conto, Encontro de Capiba com Nelson Ferreira e recentemente Saga do 44º Espada d’Água, além de um CD gravado por ele próprio com sonoplastia especial dos seus famosos Monólogos.

Agapeano, recebeu especial homenagem do “ Trampolim da glória “ em 20 de julho de 95, data do seu aniversário natalício e dos 50 anos do Caxangá Ágape.

Faz ao vivo Palestras-Shows abordando os seguintes temas : Rádio, TV e
Folclore nordestino. 80 minutos de sadio bom-humor sozinho ou dividindo o
palco com o cantor e violonista Expedito Baracho. Um encanto de programa
para sorrir e sonhar.

Assina atualmente uma página de humor no tabloide Fatorama que circula em Brasília, Rio e São Paulo.

Lecionou para alunos do Senac “ A história do Rádio e TV no Brasil, “ realiza Palestra-Show para eventos especiais, congressos, estudantes, Clubes de Serviços e Sociais, Grupos empresariais, etc, sobre o Bom humor no Folclore, tipos inesquecíveis e “causos “ nordestinos. O show “ Criador de Causos “ foi eleito o melhor espetáculo de 1988, com apresentações em diversas capitais
do país inclusive Maceió, inaugurando o espaço cultural do Maceió Mar Hotel.
Em Portugal foi aplaudido na região do Minho ( Braga, Barcelos, Povoa de
Varzim e Lisboa ).

Gosta do apelido de “ Barão de Setúbal, “ e atualmente produz uma coletânea dos seus mais recentes poemas, já intitulada por ele de “ Confidências do Barão. “

É casado com a pedagoga e escritora Angelita Souza de Paiva, autora de
“ Amor, Humor e Sabor, “ livro de contos inspirados na família e receitas da arte culinária em geral. Seus filhos Mônica de Paiva Santos, Carla Paiva e
Aldemar Paiva Filho, são respectivamente Médica, Arquiteta e Engenheiro Mecânico e criaram uma linda Ciranda de netos para enorme alegria do casal :
Flávia, Conrado, Maria Eduarda, Drance, Aldemar Paiva Neto, Arthur e Adriano.



Postado por Mariângela Freitas




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